sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Luta de Classes e Classes Sociais

Se comparássemos as Classes Sociais a Cadeia Alimentar, os burgueses estariam no topo da cadeia, a dita Classe média no meio, e o proletariado e o lumpemproletariado na sua base.
Ao longo da história da humanidade foram diversas  as formatações das classes sociais e não é minha intenção, aqui, resgatar o tema em toda a sua complexidade histórica.
Resta dizer para simplificar, que exceto em formações sociais muito primitivas e matrilineares, havia estratificações mais igualitárias. E que ao longo da história estas estratificações foram ficando mais complexas e desiguais.
As primeiras sociedades guerreiras e patriarcais estabeleceram as primeiras estratificações mais complexas e desiguais, diminuindo a importância das mulheres e implantando regimes escravocratas.
É bom lembrar que no berço da democracia moderna, Atenas, nem mulheres e nem escravos eram considerados cidadãos tendo acesso apenas a vida privada, na forma ditada por seus senhores os homens adultos  livres e de poses.
Mesmo Atenienses, homens nascidos livres, podiam em função de dividas serem escravizados e perder a condição de cidadãos. Hoje as estratificações ficaram muito mais complexas e até os cidadães mais humildes podem votar e serem votados. O voto universal é uma conquista recente da humanidade e foi conquista de muita luta pelo reconhecimento da maioria do povo com a qualidade de ter vez, voz e voto.
A luta entre as diferentes classes sempre existiu! É uma luta por tratamentos igualitários e acessos igualitários aos bens e serviços produzidos coletivamente em cada sociedade. No pós revolução industrial a Luta de Classe se acirra e polariza entre burguesia e proletariado. Entre aqueles que detêm os meios de produção e aqueles que vendem a sua força de trabalho aos que detêm os meios de produção. O que é produzido coletivamente é apropriado privadamente. Mas a opressão de classe não é a única nas sociedades industriais e pós-industriais, existe outras múltiplas formas de opressão, que vão além da expropriação realizada pela burguesia contra o proletariado. Isso não implica a perda do lugar central da expropriação na luta de classes, mas aponta para outras frentes de luta em busca de tolerância e igualdade.

Diversas lutas fragmentadas dividem e complexificam ainda mais as sociedades modernas! Mas a Lei do mais forte e do mais apto continuam  presentes. A ideia de que existem seres humanos melhores e piores do que os outros persiste como justificativa das desigualdades sociais e de políticas de caráter
paternalista e excludente, onde seus usuários não são protagonistas do seu processo de inclusão social, ou melhor de um maior acesso aos bens e serviços produzidos coletivamente e ainda apropriados privadamente.
Na revolução industrial todo o processo de produção ficava centralizado na Fábrica: produção, distribuição e circulação de mercadorias. Com o desenvolvimento do capitalismo, a produção, distribuição e circulação tendem paulatinamente a se descolar e surgem uma serie de atividades consideradas simbióticas, e de alguma forma parasitárias, da produção propriamente dita. Atividades dos setores de serviços e de informações agregam valor as mercadorias diminuindo o tempo de giro desta. Ou serviços que permitem a reprodução material das classes que vivem diretamente do seu trabalho.
 Há uma camuflagem na produção da riqueza social onde, o trabalho em si, é praticamente independentizado de sua geração, ou perdem muito em importância. A luta de classe se dissolve  e dilui a ponto de não ser possível visualizar os polos geradores de tensão. Representantes e microempreendedores não se consideram classe trabalhadora, assim como diversos prestadores de serviços públicos e privados também. Cada um desejando uma porção maior daquilo que é produzido socialmente. Aquilo que é distribuição arbitrária de fachas de renda (miseráveis, pobres, classe média, etc. Ou classe A, B, C, D e E, torna-se mais importante do que a antiga divisão entre proprietários dos meios de produção e vendedores da sua força de trabalho. Estabelecendo a lei da selva onde o mais apto, o mais forte e o mais veloz evolui, enquanto os menos aptos estão destinados a virar comida da voragem dos mais aptos. Enquanto o conceito de luta de classes elucida as raízes da desigualdade, o conceito de classes sociais as escamoteia em uma estratificação meramente formal e arbitrária, com a função ideológica de perpetua-la.                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                

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